segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

" espacinho "



Chamei de “espacinho” o cantinho do quarto que fiz pra Alice ter como opção diferente do berço, do colo e do carrinho. Mais um lugar para estar, para brincar e para ampliar as possibilidades de locomoção dela.
Comprei duas placas de E.V.A. de 1m x 1m, as encaixei e recortei as laterais com estilete. Usei também um espelho que estava sem utilidade e o que não poderia deixar de faltar: a sacola de brinquedos.
Geralmente o “espacinho” fica instalado no quarto, num local que não é de intensa passagem e bem iluminado. Mas como o piso é composto apenas por duas placas (nesse sentido é beeem mais prático do que comprar aqueles pacotes, também lindos e muito úteis, de 20 placas de 20cm x 20cm de E.V.A.) é bem fácil transportar o “espacinho”para outros lugares da casa. Já passei para a cozinha enquanto fazia pastéizinhos de forno, para o quintal, para a sala... É uma maneira de instalar a Alice perto de mim quando preciso estar em outro ambiente que não no quarto e de manter oportunidades interessantes de exploração com segurança enquanto estou por perto mas não estou interagindo o tempo todo com ela.
Pois bem, apresentado o “espacinho” como suporte para brincar, é bacana falar um pouco sobre “do quê” brincar.
Quando nos sentamos lá pela primeira vez, coloquei a Alice no meu colo de frente para o espelho. Colocar a criança na frente do espelho, como bem diz a minha amiga Musa, é muito mais bacana do que colocar a criança na frente da TV, pois o olhar da pequena ao se ver não esconde um sentimento de encantamento, surpresa e paquera. É muito gostoso sentar com seu bebê na frente do espelho. Só essa ação consumiu nossas primeiras duas ou três idas ao “espacinho”.
A Alice ainda não se senta com firmeza e só a mantenho sentada quando estou sentada junto, por que assim ela conta com o apoio do meu colo e das minhas pernas caso tombe para um lado ou para o outro. Quando eu não posso sentar junto, coloco ela de bruço olhando para o espelho e ela faz, a partir daí, o que quer: gira, desloca-se (ainda não engatinha mas já se desloca pelo espaço meio desordenadamente, meio “sem rumo”)
Geralmente deixo o “espacinho” já organizado com brinquedinhos. É claro que NÃO se pode colocar todos os brinquedos que a criança tem de uma vez...A Alice é muito pequenina e acaba não explorando os brinquedos com tranquilidade se encontrar todos de uma vez. A criança que está brincando pelas primeiras vezes na vida e tendo o primeiro conjunto de brinquedos, precisa ter diversas oportunidades para explporar e brincar e brincar e brincar de novo com os mesmos brinquedos. Quando organizei o “espacinho” pela primeira vez, coloquei ali uns brinquedinhos que ela já conhecia bem e um ou outro que eram novidade.
Mostro aqui mais ou menos como foi o primeiro espacinho da Alice. Aliás, antes do espacinho, quando ela ainda não virava nem se deslocava, eu usava o tapete de atividades.




O primeiro tapete de atividades




O "espacinho"


Existem mil jeitos de chegar com a criança no espacinho, é bacana não ter tanta ansiedade e estar atenta ao olhar e ao interesse do bebê pra que ele explore as posições, os brinquedinhos ou para que ele simplesmente fique à vontade da maneira como lhe parecer melhor. Nas primeiras idas com a Alice eu sempre me sentava junto e ficava brincando com ela. Observava como ela explorava os brinquedos, quais ela considerava mais interessantes, de que maneira brincava, quais coisas ela conseguia e quais ela não conseguia fazer. Isso me permitiu fazer aos poucos as mudanças no espacinho e me permitiu também descobrir quais brinquedos e oportunidades atendiam melhor a cada dia, a cada temperatura (por exemplo; o E.V.A. tem duas faces, uma melhor para o verão e outra melhor para o inverno...Você já percebeu isso? A parte mais emborrachada é mais adequada para o inverno pois é mais aconchegante e quentinha. O “verso” da placa de E.V.A. é liso, é como se a borracha fosse vedada nessa parte; não é tão porosa, não esquenta e é bem mais fácil de limpar) e a cada interesse da Alice.
Depois de um tempo brincando no “espacinho”, eu comecei a perceber que a Alice tinha desenvolvido um jeito de brincar com determinados brinquedos. Ela tinha desenvolvido o seu primeiro repertório de brincadeiras. Tendo então um conjunto de fazeres, mostrando ter familiaridade com o espaço, com o brinquedos e com o que fazer com eles, passei a organizar oportunidades para que a Alice passasse a brincar um pouco sozinha. Claro que eu não a deixo sozinha e vou tomar banho... Eu fico junto, mas posso estar fazendo outra coisa, como, por exemplo, pertinho dela higienizando os brinquedos que estão na sacola, guardando as roupinhas dela no armário... Coisas de mãe!
Depois que percebi isso, comecei a diferenciar e classificar alguns brinquedos por tipo. Tem brinquedo que nesse momento, nessa etapa do desenvolviemnto dela, só podem estar no “espacinho” se for pra gente brincar juntas, por que pode cair em cima dela ou por que ela pode não conseguir brincar sozinha e o brinquedo fica ali, apenas atrapalhando. Claro que conforme ela se desenvolve e conforme temos oportunidades de brincar diversas vezes com o brinquedo, ela aprenderá a brincar com ele, aprenderá a não deixá-lo cair... Tem brinquedo que tem uma determinada função mas que a criança demora pacas pra começar a brincar daquele jeito que “manda a bula”. Um exemplo disso é o mordedor. Alice ganhou uns 4 ou 5. Quando começou a segurar brinquedinhos com as mãos, ainda não tinha nenhum dos dentinhos despontando e o hábito de colocar tudo na boca não era tão intenso quanto é hoje. Então ela não mordia nenhum dos mordedores, mas ficava longos minutos apenas olhando para eles... Observava as cores, os desenhos, sentia a textura... Hoje ela continua observando os lindos mordedores que tem, mas em poucos minutos coloca na boca e começa aqueeela babação e aquela carinha de alivio por poder coçar a gengiva que rasga pra dar lugar a mais dentinhos (além dos dois que ela já tem).
Vida de mãe é uma coisa corrida mesmo e eu aprendi que o “espacinho” serve pra me salvar em momentos que ela não está com fome, não quer colo, não vai dormir mas quer algo que eu não sei o que é... Com certeza quer gastar energia e conhecer mais do mundo... Serve também por que brincar é tão saudável e importante quanto comer, tomar banho, trocar fralda, receber amor e carinho. Então a gente tem sempre que reservar, mesmo que a criança não peça, um tempinho gostoso para brincar. Para que isso fosse facilitado na minha vida, eu passei a deixar o “espacinho” organizado previamente. Sempre que a Alice descansa ou que está com alguém da família e que eu vou aproveitar para dar uma juntada naquela bagunça inevitável, aproveito e dou uma reorganizada nos brinquedos do espacinho. Tem uns que eu guardo, uns que eu mantenho, uns que eu mudo a maneira de expor e por aí vai. Vale lembrar que a exposição do brinquedo, ou do conjunto de brinquedos no espacinho é tão estratégica quanto as brincadeiras que acontecerão a seguir, pois a arrumação, a exposição por si só é um desafio, uma provocação, um convite à brincadeira.
E é bom brincar bastante mesmo, por que tem uma hora que acontece o inevitável: o espacinho fica pequeno e a criança vai procurar por outros desafios! Isso é ótimo! Mas se você quiser que o “espacinho” continue sendo uma opção de lugar para estar, para brincar, explorar coisas em determinados momentos, é fundamental estar atenta a quais possibilidades de brincadeiras são ao mesmo tempo desafiadoras, interessantes e possíveis.
Estou aqui pensando bastante sobre cada brinquedo, sobre brinquedinhos que eu, com meus 30 e tantos brinco e que já são interessantes para Alice... Mas depois eu conto sobre cada um dos brinquedos em postagens específicas e, se Deus quiser, mais curtinhas.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pão e Circo

Faz dois meses que a Alice come. Começou com frutas e agora come também papinhas. Além do almoço, passou a jantar. Então durante o dia, além das mamadeiras de leite, almoça, come sobremesa (que é sempre fruta), toma suco, come fruta à tarde, janta e dependendo do apetite e dos horários, come mais alguma frutinha, toma um chá...
Essa semana começou a comer coisinhas com a mão. Já comeu casquinhas de biju e biscoitão de polvilho. Não pode, né, eu sei.... A pediatra indicou que eu desse gominhos de laranja pra ela comer com as mãos... Mas ela parece ter puxado a mim; tem mais curiosidade por porcarias... E eu, por minha vez, como vivo com uma porcaria nas mãos... Acabo influenciando negativamente nesse sentido.
Na verdade eu me rendi à essa coisa de dar alguma “coisinha que fosse” pra Alice comer por que ela deu uma diminuída no interesse pelas refeições e está progressivamente tornando, pelo menos o horário de almoço e jantar dela, um circo.
Sempre defendi uma rotina de horários, lugar e hábitos na hora de comer. Na hora de comer o principal é a comida, o objetivo é comer. Simples assim. Acontece que não tem sido assim aqui em casa.
Antes de começar a alimentar a Alice com algo além do leite, li um livro interessante sobre papinhas que ensina a fazer comidas naturais e congelar em forminhas de gelo... Então eu cozinho cenoura, por exemplo, processo e coloco em forminhas de gelo (que eu comprei só pra essa finalidade). Depois de congelado eu desenformo e coloco num saquinho (daqueles pra alimento) com o nome do alimento e a data do cozimento e mantenho no freezer. É bacana por que dá pra ir selecionando e misturando cubinhos diferentes para cada refeição. Posso misturar um de músculo (como eu disse antes, mesmo sendo vegetariana estou cozinhando e oferecendo carnes pra Alice), um de mandioquinha e um de couve flor com brócolis. Posso repetir a carne e modificar legumes e hortaliças ou manter os vegetais e alterar carnes... Brincar com as combinações.
Bom... É bem importante dizer que eu não sou nenhuma alquimista na cozinha. Sei fazer poucos pratos e os aprendi separando os ingredientes nos pesos e porções indicados pela receita de cada um e errando muito antes de acertar... Os dias mais desanimadores são aqueles quando eu estou super inspirada, separo os ingredientes, executo a receita com perfeição e a comida fica uma gororoba... Mais que vergonhoso é realmente desanimador cozinhar quando isso acontece. Dá tristeza mesmo.
Com a Alice acho que está acontecendo isso. Às vezes, quando ela se recusa a comer eu analiso a comida e concluo que a mistura de cubinhos que eu fiz não combinava... Ou que as proporções deixaram a comida pesada, inssossa, forte demais, fedida... Depois comecei a questionar essa coisa de congelar...
Insatisfações à parte, comecei a elaborar estratégias mil para fazer com que a Alice comesse. Afinal das contas, ela tem que se nutrir (eis aqui a diferença entre a profissional e a mãe...Não consegui escapar dessa... Educar crianças em ambiente coletivo de educação é uma coisa, mas educar filho, o pequeno tirano da casa é completamente diferente). Pois é.
O circo começou a quando percebi que a cada refeição eu cantava e repetia incansavelmente todas as músicas que sei cantar e no momento mais engraçado de cada uma, quando Alice sorria eu tascava a colherada de papa na boca e ela engolia ainda dando risadinhas, na maior inocência e sem intenção de comer; apenas comia rápido para continuar curtindo as cantorias. Tentei também levar brinquedinhos para os momentos das refeições mas a sujeira foi tanta que eu nem insisti e fiz isso só uma vez. A gota d’água foi quando me peguei sentada numa cadeira lá na varanda de frente pra rua enfiando colheradas de papa na boca da Alice enquanto ela se assustava com uma moto, um cavalo ou um carro que passava. Isso é sacanagem e não tem nada a ver com o desenvolvimento de hábitos alimentares. Nada mesmo. Além de ser super cansativo pra nós duas.
Me rendi então às papinhas Nestlé sugeridas pela minha mãe. Minha mãe sempre diz: “Filha, eu sei que não é o que você quer, mas acostuma a menina com tudo que no dia que você precisar ela não estranha”... Ok, ok... Dei a tal da papinha Nestlé pra ela provar e ela devorou o dobro do que costuma comer da comida que eu preparo sem dar tapas na colher, sem que eu tivesse que ficar rouca de tanto cantar e sem fazer tanta sujeira... O juízo dessa situação aconteceu no consultório da Pediatra que afirmou que a papinha Nestlé é boa, natural, sem conservantes... Pra quê...Passei no mercado e contei as moedas...Comprei todos os vidrinhos que meu dinheiro permitiu. Ainda tentei cozinhar mas em momentos de crise a papinha sempre vem pra me salvar...
Mas a consciência começou a pesar e vontade de superar a condição de mulher que não sabe nem cozinhar para a própria filha invadiu minhas cibernéticas intenções de pesquisa e eu voltei a pesquisar procurando por uma luz. Minha irmã aconselhou: “procura no youtube como é que faz em casa a papinha da Nestlé”. Nem cheguei a procurar e o destino dessas páginas que a gente vai deixando abertas sem nem saber quem foi que abriu (tem os gatos, aqui em casa eles andam sobre o teclado do meu computador)me mostraram um caminho interessante.
No site da Editora Abril sobre gravidez e maternidade ( www.bebe.com.br) que acompanhei desde a gravidez, encontrei uma indicação interessante de leitura que compartilharei aqui. O livro “A panela amarela de Alice” conta parte da história de uma mulher (Tatiana Damberg, a autora) que curte muito cozinhar e usa seu talento culinário para alimentar sua pequena filha de nome também ALICE.
Bem... Vale à pena comprar o livro pra quem quer se aventurar com especiarias e misturas um tanto quanto exóticas (outras nem tão exóticas). Ler a história da mãe de primeira viagem e das suas descobertas, atimanhas e dificuldades fez com que eu me sentisse bastante acolhida e quisesse mais uma vez voltar a tentar cozinhar com sensibilidade atrelada à técnica. Digo que tentei.
A primeira receita que segui foi um desastre. Alice (a minha) berrava com raiva, deixou todos em casa bravos comigo por que eu, que estava bem triste, cansada e estressada com aquela situação, tentei forçá-la a comer (embora eu saiba, e não é de hoje, que isso não se faz). Decidi parar de tentar fazer coisas que pra mim eram muito diferentes e voltei às papinhas da Nestlé.
Já mais calma, retomei a leitura do livro na esperança de encontrar uma base de trabalho na cozinha sobre a qual eu pudesse me sair bem. Foi ótimo por que aprendi coisas bem bacanas:
• A primeira foi a de usar uma tabela com os elementos que devem conter nas papinhas e todas as possíveis variações. É bacana por que ela passa uma lista bem básica, que serve como ponto de partida pra quem, como eu, não tem muita noção de misturas, combinações... Com o tempo, podemos ir acrescentando na lista coisas que vamos nós mesmas inserindo no cardápio;
• A segunda e valiosa orientação que Tatiana me deu no livro foi a seguinte: a papa deve ser DOURADA, COZIDA E PROCESSADA (ou amassada, como quiser cada mãe, cada filho). Tava aí uma novidade.
Eu jamais dourava nada na comida dela.... Azeite, cebola e temperos? Nem pensar... E a Alice devia retrucar enquanto gritava com raiva tentando resistir à entrada das colheradas na boca: Comida sem dourar a cebola e sem sal? Nem pensar!
Posso estar sendo otimista demais mas já fiz duas papinhas e ela está comendo com prazer, com atenção e interesse pela comida. Não preciso mais cantar. A não ser, é claro, pelo prazer de ver a minha querida sorrindo.

E quem quiser, pode acompanhar mais da Tatiana em seu site chamado “mixirica” no endereço: http://mixirica.uol.com.br/



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Aconteceu. De um dia pro outro. Alice cresceu.


Meu Deus... Esssa semana, num dia comum de manhã, quando fui olhar a Alice acordada no berço tomei um susto danado. Ela tinha crescido e dava pra ver... Foi dormir menor e acordou maior. Três dias antes tinha medido na pediatra e eu tinha certeza que se medisse de novo estaria maior... Bem maior. Assustei... Mas tudo bem. Era minha filha ali, deitada no berço, sorrindo como sempre faz pela manhã e querendo colinho.
Cheguei na sala e meu pai, que já tem idade avançada e parece estar bem desligadinho do tempo, me olhou e comentou ao ver a Alice deitada no meu colo: “Nossa... como ela cresceu”. Depois minha mãe comentou o mesmo, minha irmã e o tio... Todos comentaram inocentemente que a Alice tinha crescido... Me faltou perguntar se a referência deles era que ela tinha crescido desde nascida ou desde ontem. Ao mesmo tempo que eu fico feliz em ver a minha cria vingando, peço quase que em segredo pra que esse tempo passe beeeeem devagarinho. Dentro de 6 meses não terei mais um bebê...Terei uma criança pequena que certamente trará seus encantos, mas poxa vida... É tão caótico ter um bebê pra acabar tão rápido?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Considerações sobre o meu sexto mês sendo mãe


Pois é. Disseram que o tempo voava e voou mesmo. É claro que isso só é aparente quando se olha para trás pois no dia a dia, cada minuto parece durar mais do que os 60 sagrados segundos marcados por qualquer relógio.
Ainda me sinto com as deformidades físicas de quem acabou de parir (está certo que eu ainda não coloquei em prática nenhum dos meus fabulosos planos fitness para mudar) e a Alice, amanhã, já faz 6 meses... Faz 6 meses que eu entrei em jejum para ir no dia seguinte cedinho para a maternidade; 6 meses que me despedi dos meus gatinhos como se não fôssemos nos ver nunca mais, 6 meses que ganhei uma caixa de Nhá Benta tradicional da Kopenhagen da Nádia, 6 meses que agradeci a Deus por que ia parir em poucas horinhas e não tinha rasgado a barriga com estrias...
Seis meses.
Amanhã minha pequena Alice completa seu primeiro meio ano de vida e eu fiz hoje uma avaliação de quantas coisas que ela já aprendeu e de como ela já se coloca no mundo sendo que há 6 meses atrás ela nem tinha nascido ainda... Ela já dá gritões me chamando quando está com alguém e eu passo reto, dá risadinhas e se esconde quando encontra alguém que gosta, abre a boca quando raspo frutinha mesmo antes que eu tente alimentá-la, ao acordar, coloca-se de bruços e me procura na cama perto do berço e quando nós cruzamos os olhares, ela dá risadinhas e se esconde, dá os braços quando está no carrinho e quer colo...
Essa semana ela fez algo pela primeira vez... Me fez chorar durante a vacina dela. Eu a coloquei deitadinha na maca e ela me olhou antes da agulhada e sorriu mostrando os dois dentinhos debaixo. O sorriso inocente e cheio de cumplicidade, as pernas gordinhas esticadinhas antes da breve dor da picada de injeção me comoveram. O choro dela foi bem rapidinho e o meu... também. Mas doeu. Mesmo sabendo que a vacina é para o bem, ou para prevenir mal indesejável.
Seis meses que sou mãe. Óh Deus...Escravidão voluntária e eterna. Amor incondicional com uma pitada de medo e ela está quase engatinhando.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Possessão


Dois dias antes da Alice nascer eu fui com a minha mãe visitar um berçário na Vila Mariana onde eu a colocaria caso continuasse morando e trabalhando por ali (decisão tomada depois de visitar alguns tantos berçários e colocar na balança a questão do serviço prestado, empatia com os profissionais e preço,acho que esse papo rende uma próxima postagem, já que eu trabalho nisso).
Lembro-me que durante a visita a dona do berçário disse pra eu pensar bem se colocaria a Alice tão novinha...Eu pensei que fosse voltar ao trabalho imediatamente após a recuperação do parto, pensei que meu único impedimento para conseguir um emprego fosse a barriga mas estou descobrindo que não...Existe um preconceito danado com mãe solteira de bebê novinho.... Ainda mais mãe que precisa do emprego pra se reencontrar na vida. Pois bem... Lemro-me das palavras daquela dona de escola prevendo o meu futuro... Ela disse assim: ”assim que o bebê nasce, a gente vira um leão”. Achei aquilo radical, ridículo e pensei que comigo a coisa seria um pouco mais amena... Afinal das contas eu sou profissional que trabalha com educação institucionalizada de crianças pequeninas e tiraria de letra mil questões que as outras mães não tiram... Obviamente não considerei que estaria tornando-me mãe pela primeira vez.
Essa leoa nasceu em mim junto com a Alice, que, coincidentemente, é do signo de Leão. Bem... Já que eu passei a primeira noite na maternidade cuidando dela o tempo todo... Não parei mais e assumi todos os cuidados desde então, que eram basicamente amamentar (esse tinha que ser só comigo mesmo...), trocar fraldas, dar banho, pegar no colo, fazer dormir, depois dar mamadeiras, frutas, papinhas....
Me deixava e ainda me deixa bastante incomodada quando alguém vem me dizer o que fazer: “faz isso ou faz mais assim....” Isso é um saco... Fico pensando que no fundo as pessoas querem ajudar, compartilhar suas experiências... Mas tem aquele negócio que cada criança é uma criança e o maior desafio de virar mãe e ir ficando cada vez mais mãe é conhecer e tentar (inutilmente) estabelecer uma rotina pro bebê.... Acho que a ansiedade da mãe não é estabelecer a rotina, mesmo por que os bebês não vão se submetendo assim, facilmente, às nossas ordens só por que somos mães... A maior ansiedade é identificar qual é a rotina da criança pra gente tentar se organizar, se planejar mesmo que seja um pouquinho, dormir mesmo que seja um pouquinho ou saber que vamos ter aqueles 15 minutos livres pra sei lá... fazer “nada” com mais propriedade...
Aí vem alguém, qualquer alguém (família, amigos, moça da farmácia, vizinha que você encontra pela segunda vez no elevador) e te diz: “faz assim” e vai embora.... Ah... Não dá. Sou eu quem fica acordada, quem recebe olhares feios se ela chora por mais minutos que as pessoas julgam serem toleráveis, sou eu quem decide um monte de coisas... Então esses conselhos, por mais interessantes que possam parecer, geram em mim mais revolta e um sentimento de fracasso do que simpatia...
Isso tudo sem falar no fato de que a Alice fará 6 meses daqui há 10 dias e digo... Passa tão rápido que não dá vontade nenhuma de delegar as coisas pra terceiros... Os momentos de esgotamento total acabam cedendo a que alguém prepare uma mamadeira, alguém passeie no Sol um pouquinho com ela, alguém que faça algo pra que eu possa fazer outra coisa...
No meio do turbilhão incessante da depressão, tive um sentimento cruel. Minha mãe estava com a Alice e eu almoçava... Já tinha terminado o almoço mas estava à mesa sentada com meus irmãos... Minha mãe veio me trazer Alice de volta e eu disse do fundo do meu coração que não a queria naquele momento. Minha mãe continuou seu passeio com ela achando essa a resposta mais normal do mundo mas percebi nos meus irmãos um certo olhar interrogativo... Refleti no calor da ação e respondi o que talvez nunca um terapeuta conseguisse tirar de mim (mesmo porquê eu não faço terapia): respondi que minha vontade era guardar às vezes a Alice numa caixinha e só pegar de novo quando eu estivesse mais disposta e mais feliz. Isso pra não perder, pra não deixar de curtir nem um pouquinho essa pessoazinha que cresce e se desenvolve tão rápido... Sentimento bastante egoísta, eu sei. Mas ser mãe também tem dessas coisas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Alaranjado mamão


Isso mesmo. Alice entrando no quarto mês de vida e durante a consulta médica uma surpresa: hora de começar com suco e frutas. Deus do céu, o que parecia uma realidade tão distante ia começar entre hoje mesmo e amanhã.
A lista era simples: suco de laranja lima pela manhã e quatro frutas poderiam se revezar no meio da tarde: maçã, mamão, banana ou pêra.
Na volta da médica já passei num hortifruti pra selecionar as primeiras frutas que a Alice conheceria. Escolhi cada uma com um carinho imenso sabendo da importância e do valor delas para nossas vidas. A sensação: um misto de felicidade e tristeza, talvez um pouco de medo. O tempo passa rápido demais e de repente a pequena que só tomava leite e às vezes água ou chá passaria a ter um cardápio e a fazer uso de talher, potinhos e outros utensílios que ainda estou descobrindo...
Pois bem. De acordo com a pediatra, Alice poderia reagir com estranheza natural ao conhecer, ao experiemntar pela primeira vez uma fruta... Poderia tentar expulsar da boca não apenas por não gostar do sabor, da textura, mas acima de tudo por estar descobrindo, também, o caminho do alimento pois a gente coloca na boca, degusta, engole e digere... Todo esse caminho é novo e as sensações envolvidas no ato de comer pela primeira vez então, nem se fala. Para a minha surpresa, tanto o suco com a primeira fruta foram aceitos e consumidos em sua porção completa. Os dias foram se passando e ela passou a comer cada vez com mais familiaridade, passei a perceber quais as suas preferências, passei a entender que com determinadas frutas ela faz cocô mais duro, mais ou menos cocô ou então fica com o cocô molinho.... Lógico que todo mundo sabe que maçã prende e mamão solta mas é bacana descobrir isso com a nossa cria, conhecer aquele corpinho de bebê como ninguém e perceber cada detalhe... É lindo e gostoso ver o bebê crescer; ao mesmo tempo já vai dando saudades daquele bebezinho tão dependente que vai mudando todos os dias... Mas de crescimento e desenvolvimento não se pode reclamar, afinal das contas, a gente reza, reza, reza (mesmo eu, que não sou lá de rezar) pro filho da gente crescer forte e saudável.
Pois bem... Muito bonito esse negócio de comer mas na hora de lavar a roupa também tive novas aprendizagens... Eu sempre comprei sabão bom pra lavar roupas e sempre joguei tudo na máquina... Foram raras as vezes que não fiquei satisfeita com a qualidade das lavagens ou que destinei blusa nova ao armário dos pijamas por saber que ela jamais voltaria a ter aquela brancura ou perfeição, por que se tem coisa que eu nunca fiz, foi esfregar roupa... Ah... Eu nunca precisei esfregar roupa não... Minhas sujeiras sempre se resolveram no molho da máquina...
Mas com filho não dá... Me decepcionou tirar da máquina os paninhos de boca completamente pintadinhos de alaranjado mamão... A gente até pode ficar esculhambada mas o bebezinho tem que ficar limpinho, cheiroso e todas as coisinhas também... É um pouco da coisa de brincar de boneca, como se virar mãe fosse brincadeira...
Pensando assim foi que eu passei a usar o tão famoso “Vanish” (que não encontra mancha sozinho e não tira completamente a mancha não...a gente tem é que esfregar, mas o produto ajuda sim... Ajudaaa!) e passei também a esfregar os paninhos com as mãos, lavar com água quente... Dá trabalho e não fica perfeito mas é o que eu tenho conseguido fazer.
Depois de um mês adaptando-me à vida de mãe de bebê que come, em outra consulta com a pediatra, outro susto: hora de começar com as papinhas salgadas... Deus do céu... Ainda estou no meio desse turbilhão e já descobri que a Alice não gosta muito de carne branca (tenho especial dificuldade com a questão da carne, pois sou vegetariana e fico refletindo sobre isso desde a gravidez...http://casandroni.blogspot.com/2009/06/o-que-alice-come-o-que-alice-vai-comer.html)e que eu tenho que dar umas duas ou três vezes a mesma papinha pra ela reconhecer o sabor e curtir, querer mais... Dá trabalho sim.
O mais gostoso disso tudo foi o dia que eu descobri dentinhos rasgando a gengiva... A coisa mais linda do mundo. Muito gostoso poder curtir esse processo. Eu amo de paixão as gengivinhas e aquele sorriso inocente e banguelo dos bebês mas acompanhar o crescimento dos dentinhos é delicioso...Ela sofreu um pouquinho, teve cocô mole e ficou chorona nos dias mais chatinhos e doloridos mas agora está bem. É sentir minha filhotinha virando gente; uma mulherzinha.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Depressão


Falar de depressão pode parecer algo muito clássico quando se pensa em uma mulher que acabou de ter o primeiro filho e está tentando se reencontrar no mundo... É mesmo.
Nunca gostei do termo “depressão pós parto” pois eu tenho depressão desde a adolescência e embora não cuide dela com as melhores intervenções do mundo, tento cuidar do meu jeito ou, no mínimo, sempre tenho consciência de que ela está me pegando...
Sei bem que tive depressão durante a gravidez por questões sociais, profissionais e emocionais. Acho que depressão é algo que assola a pessoa em momentos mais difíceis, quando a luminosidade é baixa. Entendam aqui luminosidade como perspectiva, sem conotação religiosa nenhuma, por favor.
Quando comecei a escrever esse blog, fiz uma lista de textos que não poderiam faltar: experiências que eu estava tendo e que não podia deixar de registrar. Depressão foi um dos primeiros ítens da lista... Por que só agora escrevo? Por que demoro muito pra sentar e escrever por conta da natureza da própria maternidade e por que, como todo mundo que tem depressão, eu já tive diversos altos e baixos nesses meses desde que a Alice nasceu (quase 5). Quando estava no momento “desespero”, nem pensava, nem tinha condições de escrever... Quando o momento desespero passava, eu pensava em compartilhar coisas mais bacanas...
Resolvi escrever agora sobre a depressão por dois motivos especiais: primeiro por que acabei de ler um livro bem bacana...O livro parece um ombro amigo de verdade, desses nos quais a gente sabe que pode confiar e que diz coisas que todo mundo diz mas nele a gente acredita.... E depois por que eu me encontro num momento que considero bem preocupante da depressão.
O livro é “Ser mãe – e viva a vida - A experiência da mulher após o nascimento do bebê”, de Rosana Glat. A autora,professora universitária e mãe de três filhos, fala sobre as sensações mais comuns das mulheres com a experiência da maternidade. O livro tem 3 capítulos bem específicos: 1- “E agora? O que é que eu faço?” 2-“Olha o que eu virei” e 3- “Quando você vai tirar esse uniforme de mãe?”
A leitura é bem gostosa por que vai de encontro às angústias mais comuns das mulheres que acabaram de reproduzir e o livro é curto, simples (desculpem-me os mais acadêmicos e eruditos mas nada como um livro curto e simples no meio desse momento desesperador e cheio de necessidades de respostas) e nem um pouco sensacionalista (minha irmã comprou de presente pra mim num congresso de educação das mãos da própria autora). Fala de questões tão práticas e comuns, mas tão óbvias que a gente se dá conta que poucos falam disso: tipo... “Nunca mais almoçar as 4 da tarde no sábado no mesmo ritmo que almoçávamos antes com os amigos sem filhos...” (a autora na verdade dá um exemplo do pós praia... mas me recuso a falar de praia agora). Ou seja... não podia deixar de falar do livro por que ele foi o meu ombro amigo durante bons dias... Eu lia e sentia vontade de abraçar a Rosana e dizer: “me salva mesmoooooooo”.
Outro motivo pelo qual eu resolvi escrever agora é pela natureza nova e quase apática do meu estado emocional... Claro que eu surto, choro, fico triste e tenho medo... Em alguns momentos coloco todas as minhas indagações sobre a vida “na espera” e curto a Alice, a beleza de vidinha sobre a qual tenho responsabilidades para o resto da minha existência. Mas tem me espantado um certo sentimento de confusão... É tanta dúvida, tanta confusão e um sentimento de solidão tão imenso que às vezes eu me pergunto se é hora de chorar, ter medo, sorrir, fazer coisas (...) e fico sem resposta.... Não sei que sensação assumir, tenho tido uns blackouts emocionais sem saber o que sentir.... Sem emoção... E um peso na consciência assola de novo o meu coração e me pergunta: eu não deveria estar feliz? A resposta vem para definir minha emoção com a tão falada CULPA... Medo... Tristeza...Às vezes raiva também... Loucura.
Mas insisto na conversa inicial...Depressão no meu caso é companheira de vida, é mal do século, talvez da própria natureza humana. A maternidade só faz as coisas ficarem mais intensas. E antes que alguém retruque com palavras otimistas: Não passa não; mas concordo que tenha seus altos e baixos.